Cervejas Trapistas e a Visita a Tre Fontane a Birra Trappista da Italiana

Cervejas Trapistas e a Visita a Tre Fontane a Birra Trappista da Italiana

Monastérios se expandiram do sul da Europa, o dia a dia era basicamente rezar, ler, plantar e colher. E como eles cultivavam uvas, a hora boa era a de beber vinhos. Quando os monastérios começaram a ir também para o norte do continente, passaram a plantar cereais e consequentemente produzir e beber cerveja. Ai a vida mudou.

A ordem cisterciense, fundada em 1100, deu origem  a “Ordem dos Cistercienses Reformados da Estrita Observância”, na abadia de La Trappe, ao norte da França em 1664. Ninguém conseguia falar o nome inteiro, daí eles ficaram conhecidos como Ordem Trapista.

As cervejas trapistas são cervejas feitas de acordo com as premissas religiosas dos monges ou seja não é um estilo de cerveja.

A denominação “trapista” começou a tomar corpo no século 17, com diferentes monastérios promovendo reformas internas no sentido de uma vida mais orientada ao silêncio, à renúncia e à obediência. Um dos princípios fundamentais dos trapistas é o lema beneditino ora et labora, “reza e trabalha”. E um desses trabalhos é fazer cerveja.

As cervejas trapistas são da família chamada abadia, formada principalmente por blonde, dubbel e trippel. O sommelier de cerveja Alfredo Ferreira, do Instituto da Cerveja, explica: “toda cerveja trapista é de abadia, mas nem toda cerveja de abadia é trapista”. Isso porque Abadia é tipo igreja, trapista é tipo um monge.

Toda cerveja trapista de fato deva ter o Selo “Authentic Trappist Product” em seus rótulos. Os monges podem produzir itens diversos para comercializar e garantir o sustento do mosteiro: pão, queijo, doces, carnes e é claro, cerveja! Essas cervejas precisam ser fabricadas pelos monges, dentro do mosteiro, e sua proposta deve ser filantrópica: o dinheiro que não for usado para sustento do mosteiro, deve ser usado para causas sociais.

E nós da Palenox fizemos uma visita a Tre Fontane a Birra Trappista da Italiana, que é uma abadia católica em Roma apontada como o local onde São Paulo foi decapitado por ordem do imperador Nero no ano 67 d.C. Segundo a tradição, a cabeça do santo, ao ser cortada, saltou e atingiu a Terra em três lugares, dos quais surgiram fontes.

Atualmente é mantida pelos monges trapistas da ordem cisterciense. Ela é conhecida por criar as ovelhas cuja lã é utilizada para tecer os pálios utilizados pelos arcebispos metropolitanos e abençoadas pelo Papa durante a festa de Santa Inês, em 21 de janeiro. Os pálios são depois entregues aos novos arcebispos na Festa de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho.

Além da lã, os monges da Abadia das Três Fontes produzem diferentes tipos de mel (de flores, acácia e eucalipto), além de azeite, chocolates, marmelada, licor e cerveja. Confira as fotos: